Yun Ye sempre acreditou ser alguém extremamente apegado ao lar; mesmo que estivesse em Marte, faria questão de sequestrar marcianos para que o levassem de volta à Terra. Agora, estava em apuros: como poderia retornar do segundo ano da Era Zhen Guan para o ano dois mil e dez da era comum?
O ser humano é, por natureza, esquecido. Por isso, após percorrer um trecho da jornada da vida, sempre acaba parando, consciente ou inconscientemente, para reorganizar os ganhos e perdas do período anterior. Se os ganhos superam as perdas, isso prova que aquele tempo não foi desperdiçado, e se prepara, eufórico, para a próxima etapa. Se as perdas são maiores, é sinal de que todo o esforço foi em vão, desperdiçado como se tivesse sido dado a cães, desejando poder voltar no tempo e viver tudo de novo. Mas não existe remédio para o arrependimento; o que se perdeu, não se recupera, não importa quão rápido você corra. Essa é uma lei universal da vida. Será que não há mesmo exceções? Num tempo em que até as leis de Newton podem ser contestadas, um ou dois acontecimentos que desafiem a ciência são, até certo ponto, compreensíveis.
Yun Ye acabara de tomar o remédio do arrependimento, só que seu efeito foi intenso demais. Por isso, ao perceber-se nu em meio à solidão de um campo vasto, tudo que pôde fazer foi ficar estático, perdido em pensamentos.
A pradaria era belíssima: um tapete esmeralda de grama se estendia sob seus pés até onde a vista alcançava, salpicado, aqui e ali, por flores silvestres que acrescentavam cores vivas à paisagem.
De repente, o bater de asas de uma perdiz que saltou da relva assustou Yun Ye, fazendo-o cambalear e, finalmente, acordar do seu torpor.
Seus olhos voltaram a brilhar com vivacidade, a mente recuperou a clareza. "Onde estou?", perguntou-se.
Dez minutos antes, ele estava na estepe, mochila nas costas, proc