Já que o mundo inteiro me chama de demônio, então que assim seja! A partir de agora, eu, Su Ming, serei o próprio demônio! Dia 20, às três da tarde.
“Craque...”
“Craque... craque...”
Era impossível distinguir que som era esse, mas ao penetrar nos ouvidos parecia atravessar o corpo e mergulhar na alma, fazendo com que, mesmo involuntariamente, se estremecesse algumas vezes naquela noite fria de neve.
O vento ártico ressoava com um lamento sobre o mundo, e flocos de neve dançavam ao sabor das rajadas, fragmentando o céu em mil pedaços e cobrindo o chão em camadas, compondo um cenário de desolação como se tudo estivesse adornado de prata. De longe, a paisagem era de um branco absoluto, uma vastidão árida.
Não era noite profunda, apenas o crepúsculo, mas o céu sombrio era tão opressivo quanto o da noite, infundindo uma sensação de peso sobre o peito, tornando difícil respirar. No solo prateado, desenhava-se o contorno grandioso de uma cidade imponente, que se erguia como uma besta colossal prestes a dominar.
No coração da cidade, uma torre ritual se elevava, de forma heptagonal, inteiramente negra e penetrando as nuvens, firme e inabalável diante das tempestades de vento e neve. O vento que soprava sobre o altar trazia consigo aquele som de craque, espalhando-se ao longe, rude e primitivo, mas com um encanto peculiar.
“Ainda há esperança...? Ainda existe...?”
A voz rouca murmurava no vento e na neve, dispersando-se desde o altar, fundindo-se com as rajadas até quase se tornar indistinta.
“Se há esperança, onde está ela? Se não há, por que me permitiu vê-la?!”
Aquela voz, tomada de desespero, soava quase como um grito de loucura, reverberando pelo firmamento em um clam