Li Qian renasceu. Em outro tempo e espaço, no ano de 1995. Aqui, é claro, ele tem mais facilidade em alcançar o sucesso do que as pessoas comuns. Mas o que é o sucesso? Dinheiro? Ou talvez, fama? Status? Glória? São todas essas coisas, mas não apenas isso. Com aquele sorriso suave ao olhar para trás, o calor do instante em que as mãos se entrelaçam, o leve perfume que fica ao acolher alguém nos braços; só então esta vida pode ser chamada de perfeita.
A sensação de distorção temporal, estranha e enlouquecedora, percorria a mente de forma desordenada. O céu estrelado girava, tudo no mundo parecia incerto e ambíguo. Li Qian bateu com força na testa, mas quanto mais batia, mais sentia dor de cabeça.
— Ei, Li Qian, você tem certeza que está bem? Quer que a gente te leve ao hospital? — perguntou Liu Qiang, preocupado.
— Não, estou bem mesmo, só preciso descansar um pouco — respondeu Li Qian, recusando com um gesto. Sacudiu a cabeça vigorosamente e abriu os olhos, observando ao redor com atenção.
Se as lembranças em sua mente estavam corretas, ele estava na quadra de basquete da Escola Secundária Nacional Treze de Jinan, com Liu Qiang e outros colegas do segundo ano jogando ali perto, todos da sua turma. E hoje era 17 de maio, ano 55 da República, sábado, ano lunar Yihai. Ah, e pelo calendário ocidental, era 1995.
Sim, você não leu errado: aqui era o Condado de Jinan, não a cidade de Jinan.
O calendário era contado pelo ano da República, como os títulos imperiais antigos da China. Recordando com cuidado, Li Qian encontrou na memória uma história bem clara dos livros: em 1644, Li Zicheng entrou em Pequim, o imperador Chongzhen da dinastia Ming se enforcou na Colina do Carvão, e então Li Zicheng saiu por Shanhaiguan para enfrentar a coalizão de Dorgon e Wu Sangui, vencendo de forma decisiva. Nos vinte anos seguintes, o imperador fundador da Dinastia Dashun conquistou o leste e o oeste, pacificando os manchus, mongóis, muçulmanos e Taiwan. Por um tempo, o império prosperou como nunca...
Era