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No outono de 1968, durante os dias da colheita, os campos ardiam de atividade. Velhos e jovens trabalhavam sem descanso, suando sob o sol abrasador e o tempo abafado. Os homens, sem camisa, exibiam a pele escura e curtida. As mulheres tampouco ficavam atrás, pois podiam sustentar metade do céu: embora não fossem tão ousadas quanto os homens, amarravam lenços na cabeça, deixavam o suor escorrer e aplicavam toda a sua força na labuta.
A colheita dupla era o período mais exaustivo do ano e decisivo para o abastecimento de cereais. Mesmo os jovens mais mimados não ousavam furtar um instante de folga, e os preguiçosos da aldeia já haviam recebido advertências prévias do chefe da brigada; ninguém se atrevia a causar problemas.
Os conhecidos ociosos da vila eram vigiados de perto pelos chefes de grupo. Entre os preguiçosos havia quem, ao se esforçar de verdade, conseguisse render dez ou oito pontos de trabalho. Outros, porém, simplesmente não conseguiam.
Dizia-se que o caso mais notório da aldeia era… As mulheres trocaram olhares e observaram o jovem de rosto claro, Wang Yicheng, o quinto filho da família Wang, que se misturava ao grupo feminino colhendo amendoins. Sua roupa cinzenta, remendada e esfarrapada, não conseguia ocultar a beleza do rapaz: o rosto era de uma alvura indevida, mais clara que a de qualquer mulher da aldeia. O sol do meio-dia caía forte, e enquanto todos suavam, ele transpirava copiosamente sem, contudo, escurecer. Ao observá-lo com atenção, notava-se que seus gestos já vacilavam. As mulheres trocaram piscadelas; mesmo entre elas,