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No final de maio de 1962, na capital de Hua,
O sino de fim de expediente tocou, e uma multidão de operários, vestidos em tons de azul, cinza e preto, saiu apressada dos galpões das fábricas. Muitos carregavam suas marmitas em direção aos refeitórios, enquanto outros, que moravam perto ou tinham bicicleta, preparavam-se para jantar em casa.
— Xu Qianjin, você não vai comer no refeitório hoje?
— Você está por fora, hein? Xu Qianjin vai conhecer uma pretendente.
— O quê? O irmão Xu vai arranjar namorada? Eu até queria apresentar minha prima para ele.
No segundo setor, alguns jovens operários saíam juntos, rindo e conversando, todos com olhos voltados para um rapaz de sobrancelhas espessas e olhos profundos, cuja aparência era especialmente admirada naquela época.
— Sim, hoje o casamenteiro vai levar a moça lá em casa, mas ainda não está nada definido.
Xu Qianjin falava com uma certa altivez, o que incomodava seus companheiros, mas, por respeito ao mestre que ele tinha, acabavam elogiando-o. Afinal, ele era aprendiz de um grande mestre.
A família de Xu Qianjin era modesta. Ele fora criado apenas pela mãe, viúva. Seu pai havia trabalhado na Siderúrgica Estrela Vermelha, mas morreu de doença, e Xu Qianjin assumiu o cargo do pai. Mãe e filho moravam em uma casa fornecida pela siderúrgica.
A Siderúrgica Estrela Vermelha era um grande complexo, com mais de dez mil trabalhadores, além de quatro refeitórios, creche, escola, hospital, loja, casa de banhos, dormitórios e áreas residenciais. Praticamente, era uma pequena sociedade,