Todos dizem que atravessar o tempo é maravilhoso, mas pobre dela, ao fazê-lo, encontrou-se com seres que não eram nem gente, nem demônios. Um deles era como um imortal, intocado pela poeira do mundo; o outro lembrava uma lua recém-nascida, pura e brilhante. Como diz o antigo poema: "Quando o vento dourado encontra o orvalho de jade, esse encontro supera incontáveis encontros humanos." O amor, afinal, resume-se apenas a isso. -- A Filha Valente do General
Quando Ye Lianqing despertou, o quarto estava mergulhado em um silêncio absoluto, tão profundo que era quase assustador. Ela não deveria estar no hospital, pronta para uma cirurgia? Como foi parar ali? Ignorando o chão úmido e frio sob seus pés, Ye Lianqing correu descalça até o espelho do toucador.
O que viu a deixou estarrecida: não havia traço algum de sua aparência habitual, mas sim a de um palhaço, como se seu rosto tivesse sido alvo de uma brincadeira cruel. Indignada, Ye Lianqing se sentiu tomada por uma raiva súbita. Embora não tivesse nascido em família abastada, conhecia ao menos as normas mínimas de decoro; agora, com as roupas em desordem e uma aparência indistinguível entre humano e fantasma, como não se revoltar? Mesmo que tivesse atravessado para outra vida, ao menos poderiam ter-lhe dado roupas decentes.
Foi então que passos se fizeram ouvir do lado de fora, seguidos por uma voz feminina aguda.
"Ah, senhor Chu, ainda não confia em mim? Esta jovem aqui come bem, dorme bem, e ainda tem gente para servi-la, como poderia sofrer?"
"É, assim está bem."
A porta, antes fechada, se abriu de repente e três pessoas entraram. Atrás, vinham um homem e uma mulher, sendo que uma delas aparentava ser uma ama de casa, com cosméticos sobre o rosto mais espessos que couro de porco.
O olhar de Ye Lianqing deteve-se no homem à frente, e uma dor inexplicável lhe atravessou o coração. Ele tinha o nariz aquilino, lábios finos e feições belas; os olhos, em formato de fênix, eram atraentes sem serem afetados. O sorriso em seus