Ano oitavo do reinado de Jingtai, Salão Fengtian. Zhu Qiyu erguia-se sobre os degraus de cinábrio. Atrás de si, encontrava-se uma criança de dez anos; abaixo dos degraus, uma assembleia de ministros civis e militares de rostos impassíveis. Suspirando, ele ergueu os olhos para o irmão, tomado pelo pânico. Por fim, ousou dar voz àquela pergunta há tanto tempo sepultada em seu peito. “Majestade, por que motivo vos revoltaste?”
Ano catorze do reinado Zhengtong, oitavo mês.
Noite, capital imperial.
Um relâmpago rasgou o céu, iluminando, por um instante, toda a capital com um fulgor ofuscante, enquanto o ribombar do trovão ecoava incessante, ensurdecedor. Gotas de chuva, grossas como grãos de feijão, tamborilavam densamente sobre os beirais, formando fios de pérolas líquidas que escorriam para todos os cantos.
A estação já se aproximava do fim do outono. Em princípio, as chuvas outonais deveriam ser finas e persistentes, um murmúrio constante e delicado. Contudo, aquela tempestade era como um aguaceiro impiedoso de início de verão, caindo com uma violência e um peso avassaladores.
Nuvens espessas e sombrias comprimiam o firmamento, baixas e maciças, como uma sombra colossal que envolvia toda a cidade de Pequim, tornando o ar opressivo e sufocante.
O trovão ribombava, cruzando os céus e desabando diretamente sobre o Palácio do Príncipe de Cheng.
Zhu Qiyu arregalou os olhos, tentando atravessar com o olhar as densas cortinas de veludo; um odor amargo de decocção medicinal invadiu-lhe as narinas.
Nenhuma lanterna foi acesa no aposento, apenas algumas velas finas ardiam, projetando uma luz suave e tênue. Pelo visto, as aias de vigília deveriam tê-las acendido por temor de tropeçar em algo no breu da noite.
Zhu Qiyu moveu os dedos, sentindo o corpo inteiro paralisado, completamente desprovido de forças. Aproveitando o tênue feixe de luz, esforçou-se para girar os olhos, desejando perscrutar o quarto ao redor.
No entanto, mal começara a examinar o a