O Ângulo Morto Oculto

O Ângulo Morto Oculto

Autor: Saia do meu caminho.

Você já ouviu falar? Se, numa noite profunda e silenciosa, você abrir o reprodutor de música, colocar os fones de ouvido, encolher-se sozinho sob o cobertor e cobrir completamente a cabeça, ouvindo repetidas vezes a mesma canção em modo de repetição... Após quarenta e quatro execuções, se adormecer, e a sorte não estiver do seu lado, ao tornar a abrir os olhos, não estará mais deitado em sua própria cama, mas sim em um espaço estranho, totalmente isolado da realidade. Esse espaço... à primeira vista, parece ser um lugar comum: seu quarto, a sala de estar da casa, a garagem subterrânea, o banheiro, a quadra de basquete ou um canteiro de obras. Contudo, se observar com atenção, perceberá que há algo diferente... tudo está diferente. ==== Esta é a história de uma pessoa comum e ordinária que, ao obter poderes extraordinários, transforma-se passo a passo nos cantos esquecidos da existência, crescendo e evoluindo até alcançar o ápice.

O Ângulo Morto Oculto

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001 Confusão Um

Madrugada.

No interior do quarto, a luz da lua atravessava as frestas das cortinas, delineando uma linha pálida sobre o chão, tornando-se a única fonte de claridade.

No cinza esbranquiçado da luz lunar, projetavam-se vagamente as sombras minúsculas de insetos que rastejavam pela janela.

Uuuu~

Um automóvel do condomínio, com o motor sussurrando suavemente, passou lá fora, sob a janela. Os faróis gélidos cortaram, através das cortinas, um halo em leque no teto, que se desfez pouco a pouco à medida que o veículo se afastava.

Clac.

Uma velha fita cassete foi inserida no aparelho; ao fechar a tampa, um ruído seco rompeu o silêncio.

Li Chengyi franziu o cenho ao conectar os fones de ouvido e ajustar o volume. De imediato, uma música tênue e delicada flutuou, insinuando-se em seus tímpanos.

Não havia letra na melodia: era apenas um entrelaçar clássico, puro, de guzheng e pipa, dois instrumentos ancestrais. O ritmo era lânguido, translúcido.

Os sons dos instrumentos assemelhavam-se a dois fios finos e afiados: ora se entrelaçavam, ora corriam paralelos, distintos. Pareciam sussurrar uma história antiga, ou talvez fossem como dois dedos pálidos, perpetuamente entrelaçados.

Deitado de lado sobre o travesseiro, Li Chengyi fitava as cortinas escuras, imóvel, escutando a canção nos fones.

A fronha, inicialmente fria, foi aquecendo ao contato de seu rosto, exalando pouco a pouco um frágil aroma de detergente.

Seus olhos permaneciam abertos, como se divagasse, ou pensasse em algo distante.

Lembrava-se clarame

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